O lado

O lado


O lado é a parte
Uma forma de pensar
Um simples debate.

O lado é ponto de vista
É a obra prima da ilusão
Os lados são a escolha
Sua oscilante opinião

Se um lado releva
Qualquer banal comportamento
O outro lado provoca
Muita dor e sofrimento

Imagino ser um lado
Isolado em aflição
Um lado dividido
Entre a mente e o coração

Mais um lado é só um lado
Que se perde no vácuo
Do futuro e do passado.

João Heron Pereira Teixeira

Meu beijo

Meu beijo

Frio, quente
Gelado ou ardente?
Como foi meu beijo?
Meu fruto do desejo?!
Toquei a sua boca
Vivi uma noite louca
E ela um tanto tosca
Calou minha voz rouca!
Um beijo correspondido
Sorrisos escondidos
Dois lábios unidos
Corações escolhidos.
E sentados na calçada,
Com as cabeças reviradas,
Duas crianças frustradas,
Ficaram apaixonadas.
Que fizemos nossos planos
E depois de tantos anos
  Pelos dias que passamos
Ainda digo que te amo!

João Heron Pereira Teixeira



Não é tarde!


Não é tarde!


Crianças correm pela praia
Como se não houvesse tempo ruim
Pessoas fogem umas das outras
Se aproximando, sem querer, do fim

Jovens beijam, dançam e se divertem
E vivem nas margens da insegurança
Pessoas sofrem e se entregam a toa
Deixam o medo devorar a esperança

Não aceitamos bem o novo
A novidade nos é hedionda
Veja o caso do pobre Copérnico
Ao provar que a terra é redonda?!

Não é preciso mais tempo
Para mudar nossos conceitos
Porque até mesmo na paz
Nada no mundo é perfeito

João Heron Pereira Teixeira

Traição


Traição 


Amor seguido de paixão
Paixão seguida de amor
Dor seguida de sofrimento
Sofrimento seguido de dor

A cada estereótipo de gênero
Que teimamos em aceitar
Traímos a nós mesmos
Na tentativa de amar

Quem não consegue amar alguém
Pode-se declarar morto
Pois tem maus conceitos de vida
E segue em um rumo torto

A paixão a implacável
Todos a tem por dentro
Não importa pelo que seja
A paixão é seu epicentro

Então qual será real?
Qual será o sustentável?
O amor que é fraterno,
Ou a paixão que é implacável?

Digo, por um conceito próprio,
Que ambos são existentes
Porque os dois são únicos
Os dois são insistentes

Há paixão sem amor
Há amor sem paixão
Pois um não completa o outro
Não têm sentido, não têm razão.

Então você se pergunta,
Onde está a traição?!
Ora, o amor quando esquecido
Vê não paixão uma razão!

Digo, por um conceito próprio,
Que ambos são existentes
Porque os dois são únicos
Os dois são persistentes

Há paixão sem amor
Há amor sem paixão
Pois um não completa o outro
Não têm sentido, não têm razão.

Então você se pergunta,
Onde está a traição?!
Ora, o amor quando esquecido
Vê na paixão uma razão!

Quanto mais o amor se desgasta
Mais deve haver o respeito
Quanto mais a paixão se liberta
Mais o amor se sai do peito!


João Heron Pereira Teixeira

Conceito prévio


Conceito prévio

O índio é selvagem
O branco é ocioso
O asiático é estranho
O negro é criminoso

O pobre é esfomeado
E o rico é indiferente
O saudável sorri triste
O doente chora contente!

A sociedade cria pessoas
Que vivem a base de conceitos
Que torturam os diferentes
Criam seres “perfeitos”

E todos os dias são assim
Seres quase evoluídos
Vivendo sob a lei da selva
Comer ou ser comido

O que nos custa dar as mãos,
E vivenciar uma amizade?
Por que vivemos na mentira,
E não nos unimos na verdade?

O mundo ainda dará muitas voltas
Temos que nos cuidar
Por que a cada volta por cima
Uma por baixo irá chegar!

João Heron Pereira Teixeira

Boas Festas

Boas Festas

Busco o orgulho da nação!
Um grito.
Uma exclamação
Uma indiferença diferente
Uma mundo de aflição

Somos estrangeiros
Em nossas próprias terras
Somos nômades
Em um território de guerras

Todos os dia nos olhamos
Todos os fias nos fitamos
Mas em nenhum dia
Nos falamos

 Férias, Feriados e Folgas
Refúgios do bitolado
Descanso, tentativas e glórias
Destino do ilimitado

O corpo e a mente nos sugam
Vivemos em um vácuo peculiar
Nos atormentando indulgentes
Buscado nos dominar

Para acabar com isso
Destruímos o que nos molesta
E  todavia desejamos
À todos, boas festas


Desejo a todos felicidades.
E que em 2012 as aflições sucumbam entre alegrias


João Heron Pereira Teixeira
31/12/2011








Meia-metamorfose

Meia-metamorfose

Onde estou?!
Nem mesmo eu sei!
Não compreendo o que houve
Não imagino no que me tornei.

Ontem estava brincando
E falando um pouco mais
Mas hoje tenho novos velhos amigos
Os outros, deixei para trás.

Tecnologia; relacionamentos
Pensar em ser o que não sou
Mas me torno um alheio, impertinente
Sem nem saber onde estou.

Sei que existo...
Mas o que mais eu sei?
Não sou... Não tento ser.
Então?! O que serei?

Sou jovem e forte
Mas tenho medo de tentar
De passa a outro estágio,
De conseguir mudar

Pensar... O que é isso?
Nem sei se um dia eu tentei!
Mas se me tornei um "oque"
Não notei enquanto mudava.

Talvez foi essa minha indiferenças
Que me fez refletir
Por que até então não sabia
O que é preciso para existir.

Existir?! Então existo!
Então, tenho uma alma.
Nada mudou realmente
Nada criou esse meu trauma!

Estou livre!
Mas até quando vou estar?
Tenho que me preparar para a próxima...
A próxima vez que mudar!

João Heron Pereira Teixeira

A cada instante



A cada instante

Viver assim não é fácil
Considero-te complicado
Tento imaginar a dor
De quem se exalta calado

Ainda me lembro do tempo
Em que tinha pena de você
Por isso eu te ajudava
Tentava te ver crescer

Então você percebeu
A importância de uma virtude
E logo vi tua vontade
Tua singela atitude

Normalmente entendi
Quando você não avançou
Cada passo seria árduo
Da maneira que começou

Teu marginal interior
Deixou infelizes mazelas
Mas acredito em sua mudança
Na extinção de seqüelas

Entre as tentações e vícios
Conseguis-te sobreviver
Construindo o teu legado
O teu sentido de ser

Sei que é incontrolável
Teus deslizes realizados
Também sei que irá mudar
Esquecendo o teu passado

Então guerreiro complexo
Que na vida sofreu bastante
Continue no teu ritmo
Evoluindo a cada instante


João Heron Pereira Teixeira

Almirante que Sou

Almirante que Sou

Um passado errante.
Uns fatos confusos,
Um olhar mirante,
Indivíduos difusos.
Uma vida, um amante
Uma paixão  e abusos
Uma vez almirante
Do importante faz uso.
Uma vez almirante,
Isolam seus amores.
Será por medo ou horrores,
de suas ações e terrores
com paixões ilusórias?
Será temor as histórias
de ilusões que já viveu
e no mais já sofreu?
A vida é diamante
Os seres são cativantes
Lembranças de instantes
Uma vez e sempre almirante!


Maria Rosilândia Alves de Lima
Formanda em Letras - Português.

Matéria Reciclável

Matéria Reciclável

Nas folhas que escrevi, nasci.
Nos versos que vivi, cresci.
Nas palavras que preferi, desisti.
No momento que sorri, renasci.

As dores que senti, acolhi.
O olhar que preferi, perdi.
O desconhecido acolhi e sofri.
Quando conheci, iludi.

Quando o riso emiti, envolvi .
Quando o amor encobri, padeci.
Quando me declarei aí fluí.

Quando no amor evoluí, admiti.
Que a muito corri e o consegui,
Chorei, não desisti, então revivi.


Maria Rosilândia Alves de Lima
Formanda em Letras - Português